Uma nova leva de lançamentos imobiliários na região vem mostrando que é possível transformar um setor que hoje consome, no mundo, 66% de toda a madeira extraída, 40% da energia consumida e 16% da água potável, em aliada na luta pela preservação ambiental. Como? Reutilizando e monitorando a água, aproveitando a luz natural e usando formas alternativas de geração de energia.
Esses são só alguns dos muitos diferenciais de condomínios que estão sendo erguidos na Barra e arredores - já há um na Península e outra na Freguesia - região que lidera, no Rio, a nova e promissora tendência no mercado imobiliário: as construções ecologicamente correias, chamadas também de green buildings. E quem ganha não é só a natureza: com redução média de até 30% nas temidas taxas de condomínios, eles devem ser valorizados em 20% nos próximos anos, segundo projeções do mercado.
- É a visão que está revolucionando o mercado, um marco para a engenharia, que agora se divide em antes e depois dos empreendimentos sustentáveis - analisa o engenheiro Luiz Fernando do Vale, presidente da Esfera Empreendimento, que lança, neste fim de semana, o Ecolife Freguesia.
O prédio, que será erguido até 2009 na Estrada dos Três Rios, depois de dois anos de estudos, pode ser o primeiro da América Latina a ter seu caráter ambiental atestado pelo selo americano Green Building - uma espécie de Oscar dos empreendimentos ecológicos - por causa de seus 14 itens de sustentabilidade.
- Nos Estados Unidos, os prédios que levam esse selo já têm sobrepreço de 20% - atesta Vale.
Os green buildings são, por excelência, exemplos de desenvolvimento sustentável em forma de concreto: explorar o menos possível os recursos naturais e reaproveitar o máximo deles é o objetivo de seus projetos.
Boa parte disso nada mais é que soluções previamente pensadas por especialistas, como, por exemplo, o reaproveitamento do conteúdo das galerias de águas pluviais para regar planta e limpar áreas comuns e a reutilização da água das pias e chuveiros para sanitários. Esses dois métodos serão utilizados em todos os 90 apartamentos do condomínio Gauguin, que o grupo Carmo e Calçada lança este mês na Península.
No prédio, que utilizará madeira com selo de reflorestamento, haverá também hidrômetros individuais para os apartamentos, que medirão o consumo de água de cada um deles.
A auto-vigilânda, aliás, é uma das marcas dessa nova tendência. A idéia, defende o grupo Carmo e Calçada, é \"chamar a atenção para a questão do desperdício\". Nesses prédios, cada morador paga pelo seu próprio consumo, ao invés da cota geraL No Ecolife Freguesia, o esquema será o mesmo. Lá, os condôminos poderão também optar pela quantidade de consumo. A descarga, por exemplo, terá dois tipos de adonadores, um que despeja dois litros e, outro, seis litros de água, que ao ir para o esgoto é tratada e volta para os vasos.
Para aproveitar ao máximo a luz do sol, as janelas do Ecolife Freguesia - que terá, em todas as unidades, churrasqueiras e aquecedores a gás - resgatarão a antiga tendência das persianas que, segundo Luiz do Vale, garante 100% de iluminação natural.
O engenheiro filosofa:
- Residência tem tudo a ver com meio ambiente porque é a nossa casa.
Assim como a natureza.
Publicado por: Jornal do Brasil Barra em: 12/07/2007
Luisa Belchior